A Arrogância Maçónica

Quando são alvos de criticas, ou quando alguém tenta promover uma maior transparência no seio da Maçonaria, muitos maçons respondem declarando sem hesitação a sua superioridade intelectual. Quando são expostos, alguns guardam a sua postura e dignidade. Mas muitos mais respondem com ameaças, ataques de narcisismo agudos e insultos vulgares, como o demonstram muitos dos comentários de maçons ao artigo intitulado ‘Maçonaria Em Portugal, uma História de Corrupção e Conspiração‘, artigo o qual foi escolhido para revelar, através de um comentário, uma longa lista incompleta de maçons que pertencem ou pertenceram ao Grande Oriente Lusitano, lista a qual foi posteriormente revelada, desta vez completa, pelo colectivo LulzSec Portugal.

Um maçon que responde a criticas da população e a apelos por maior transparência e honestidade alegando a sua superioridade intelectual é como um carteirista que responde aos que o acusam de roubar alegando ter uma grande destreza e rapidez nas mãos- quão inadequada a defesa, quão culpado o arguido. É precisamente o complexo de superioridade, o secretismo e a falta de transparência que fazem da Maçonaria alvo constante de desconfiança pela parte da população.

Uma ilustração representando os diferentes graus Maçónicos em duas tradições diferentes

O pensamento maçónico tem uma característica em particular que o distingue claramente das escolas Abraâmicas. Os profetas aceites pelos Judeus, Cristãos e Muçulmanos pregavam a humildade, o respeito pelo próximo, a tentativa de não julgar as pessoas por causa da sua aparência e posição social. Em contraste, o pensamento Maçónico é inerentemente elitista, defendendo que somente uma pequena porção da sociedade merece respeito. Afirma que somente uma minoria é capaz de tomar as suas próprias decisões, sendo o resto da população como gado, cuja vida é inconsequente e cujo intelecto é limitado. Longe de ser uma crença periférica no pensamento maçónico, este profundo elitismo e a arrogância que cultiva nos membros da Maçonaria é absolutamente central aos rituais e práticas da Maçonaria assim de como muitas outras sociedades secretas. A crença que defende que toda e qualquer sociedade necessita de uma classe dominante iluminada e esclarecida para salvar a população inútil da sua detestável e fútil existência é tão fundamental na filosofia maçónica que dois dos livros de filosofia maçónica mais influentes começam com afirmações que visam encalcar tais crenças nos seus iniciados. Os primeiros parágrafos do ‘mestre’ Maçon de 33º grau, Albert Pike, que além de maçom era também uma figura importante do infame Ku Klux Klan, demonstram explicitamente esta falta de humildade assim como a visão de uma sociedade hierarquizada dominada por uma elite ‘iluminada’:

“A Força, incontrolada ou mal controlada, não é apenas desperdiçada no vazio, tal como a pólvora queimada a céu aberto e vapor não confinado pela ciência; mas, golpeando no escuro e seus golpes atingindo apenas o ar, ricocheteia e se auto atinge. É destruição e ruína. É o vulcão, o terramoto, o ciclone, não crescimento ou progresso. É Polifemo cego, batendo sem direção, precipitando-se entre as rochas pelo ímpeto de seus próprios golpes.

A Força cega do povo é uma Força que deve ser economizada e também controlada, como a Força cega do vapor, que levanta os poderosos braços de ferro e gira as grandes rodas, é feita para furar e tornear o canhão e para  alcançar o laço mais delicado. Precisa ser regulada pelo Intelecto. O Intelecto é para as pessoas e para a Força das pessoas o que a delicada agulha da bússola é para o navio – sua alma, sempre orientando a enorme massa de madeira e ferro, e sempre apontando para o norte. Para atacar as cidadelas construídas por todos os lados contra a raça humana por superstições, despotismos, preconceitos, a Força deve ter um cérebro e uma lei. Então, ela ousa conquistar resultados permanentes, e aí há progresso real. E acontecem conquistas sublimes. O Pensamento é uma força e a filosofia deve ser uma energia, encontrando seu alvo e seus efeitos no aprimoramento da humanidade. Os dois grandes motores são a Verdade e o Amor. Quando todas estas Forças se combinam, guiadas pelo Intelecto, reguladas pela RÉGUA do Direito e da Justiça, e com movimento e esforço combinados e sistemáticos, a grande revolução para a qual as eras se prepararam começara a marchar. O PODER da Própria Divindade está em equilíbrio com Sua SABEDORIA. Em consequência, o único resultado é a Harmonia.” (Pike, 1871: 7)

Albert Pike em traje Maçónico, ostentando o seu elevado grau

Já Manly Palmer Hall, outro ‘mestre’ maçom de 33º grau, começa igualmente o seu livro ‘Os Ensinamentos Secretos de Todas as Épocas’ defendendo posições igualmente elitistas:

“Quando são confrontados com um problema que requer a utilização das faculdades da razão, indivíduos de intelecto preservam a sua postura, e procuram chegar a uma solução através da obtenção de factos relativos à questão. Aqueles com uma mentalidade imatura, ao contrário, quando confrontados desta forma, ficam perplexos. Enquanto que o primeiro grupo é qualificado para resolver o enigma do seu próprio destino, o segundo tem que ser direcionado como um rebanho de ovelhas e ensinados com linguagem simples. Eles dependem quase inteiramente da ministração do pastor. O apostolo Paulo disse que estes pequenotes devem ser alimentados com leite, mas que porém a carne é o alimento de homens fortes. A falta de capacidade de pensamento é equivalente com a infância, enquanto que a capacidade de pensar profundamente é um símbolo de maturidade. Existem, porém, poucas mentes maduras no mundo…” (Hall, 1928: 1)

Manly Palmer Hall, um dos mais brilhantes filósofos esotéricos do século XX

É precisamente a falta de respeito com que os maçons vêm os não-maçons, que apelidam de ‘profanos’, que por sua vez cultiva pela parte da população uma desconfiança para com sociedades secretas elitistas. Ao estudar cuidadosamente o pensamento maçónico podemos chegar à conclusão que os iniciados são intimidados de várias formas, seja através da exposição a certas ideias e símbolos como a certos rituais que têm como objectivo vergar o iniciado perante a suposta sabedoria superior dos ‘veneráveis mestres’, ou seja, os maçons mais graduados que ocupam os graus mais altos da ordem maçónica e aos quais os iniciados estão subordinados. Neste contexto, a inseminação no iniciado da crença que os maçons mais graduados conhecem mistérios profundos aos quais só poderão aceder no futuro na condição de prestarem serviço e jurarem obediência  não têm acesso é absolutamente fundamental na preservação da hierarquia maçónica. Como disse Adam Weishaupt, fundador dos Iluminados da Baviera, uma sociedade secreta que formaria uma forte aliança com a Maçonaria no Congresso de Wilhelmsbad em 1782: “De todas os instrumentos que conheço para liderar homens, o mais eficiente é o mistério escondido. A tortura da mente é irresistível”. Ou seja, segundo Weishaupt a melhor maneira de assegurar a subserviência de outras pessoas é de cultivar nessas mesmas pessoas o sentimento que o líder tem na sua posse valiosos mistérios, sendo que a curiosidade que tal crença vai despertar servirá como isco para assegurar uma multidão obediente.

A arrogância maçónica e o elitismo que cultiva nos seus membros deve ser alvo de grande preocupação visto a tendência para que juízes e figuras políticas que supostamente representam a população sejam membros da Maçonaria. A falta de democracia advém em grande parte da falta de respeito que os governantes têm pelos governados, e nenhuma filosofia solidifica esta falta de respeito com tanta eficiência como a filosofia Maçónica.

Os maçons são capazes de comunicar a arrogância no seu estado mais puro. Como por exemplo o fez Luís de Matos, maçom autor de várias publicações sobre a Maçonaria, em resposta à divulgação da lista da membros da Maçonaria do blog Casa das Aranhas. Afirmou, entre insultos vulgares e tentativas de descredibilizar as criticas à Maçonaria sem qualquer fundamento: “Mas a verdade, meu caro, a verdade do mundo real – não a que construiu e quer crer na sua cabeça – é que certas pessoas têm direito a ter certos privilégios. Sim, leu bem. Há pessoas que têm direto a ter certos privilégios. A estas pessoas chamam-se vencedores. Lutam pelo que acreditam e vencem. E como é assim que funciona o mundo, é natural que estes vencedores gostem de se associar, cooperar, discutir, construir, avançar e fazer avançar. Esses vencedores vão-se encontrando em muitos lugares na vida, um deles é a Maçonaria. Eles não mandam por serem Maçons. Não têm poder por serem Maçons. Mandam e têm poder por serem quem são! Vencedores”.

O pensamento maçónico e o complexo de superioridade que cultiva nos seus membros não só é inerentemente errado- estando no seu epicentro uma falta de respeito pela capacidade intelectual da população que em si demonstra falta de sabedoria e humildade- o elitismo maçónico fica mais obsoleto a cada dia que passa. O próprio passar do tempo condena o elitismo maçónico à irrelevância. Os avanços económicos e tecnológicos resultam numa maior complexidade social, a qual fomenta a necessidade de maior burocratização administrativa, a qual por sua vez aumenta o nível de competências práticas e teóricas que são necessárias para o desempenho adequado das funções administrativas. Mas existe uma dinâmica paradoxal no processo de evolução e de sistematização da administração e portanto dos processos de planeamento sociais: à mesma medida que os processos administrativos se complicam, mais as classes administrativas se isolam da população, cultivando as divisões sociais e económicas, aumentando o fosso entre a população de maior formação académica e a iletrada, entre o tecnocrata e o cidadão comum, entre os ricos e os pobres.

Ainda para mais, como menciona Carneiro (2003: 22), “O Estado-Nação, definido no século XVIII, para 80% de analfabetos, detém competências e poderes completamente diferentes do Estado-Nação ou da organização administrativa do Estado que é toda ela alfabetizada  ou na qual 30% ou 40% de cada geração completa estudos de natureza superior. Verifica-se, pois, uma alteração radical da relação entre o Estado central e os seus cidadãos na exata medida em que se constata a alteração de stock de qualificação e educação de base dessa mesma população. O Estado dirigista e intervencionista- aquele que sabe melhor do que o cidadão ignorante- está, por principio, derrotado por uma sociedade civil com altos índices de educação”.  Ou seja, os índices de educação cada vez mais elevados estão a fazer com que o elitismo da filosofia maçónica seja cada vez mais obsoleto.

E sobretudo, como nos lembram a Sagrada Bíblia a o Glorioso Corão, a humildade é a rainha das virtudes.

“Provérbios 16:19- Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos”

“Mateus 5:3- Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”

“Surat 31, Verso 18- E não vires a cara dos homens com orgulho, nem andes na terra de maneira insolente. Verdadeiramente, Deus não gosta de pessoas arrogantes que se gabam”

“Surat 25, Verso 63- E os escravos de Deus são aqueles que andam na terra com humildade e calma, e quando os tolos lhes falam (com más palavras) eles respondem com palavras leves e gentis”

João Silva Jordão

Bibliografia:

CARNEIRO, Roberto; 2003; ‘ Globalização, Governança e Cidadania’; in A’ Face Oculta da Governança- Cidadania, Administração Pública e Sociedade’ (2003); Instituto Nacional de Administração (INA), Oeiras

HALL, Manly Palmer; 1928; ‘Secret Teachings of All Ages- An Encyclopedic Outline of Masonic, Hermetic, Qabbalistic and Rosicrucian Symbolical Philosophy’; Pacific Publishing Studio, United States

PIKE, Albert; 1871; ‘Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry’; Lits, Las Vegas

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9 responses to “A Arrogância Maçónica

  1. pertenci ao ‘minúsculo desorientado’ de que foi gm o seminarista reis,tanto quanto sei autor da lista. vem lá o meu nome. creio, por pormenores saber quem a divulgou e o fim em vista. sai porque me roubaram. o ladrão do belmiro sá ladrão roube-me uma empresa; o falecido luis nunes do TC roubou-me um manuscrito.
    escrevi cartas a dizer que se tornou numa ‘sociedade protectora de ladrões’

  2. João Silva Jordão
    Tu queres é conversa, mas…analisado o teu intelecto, cheguei à conclusão que não vale a pena pois não atinges. Continua a marrar contra o chão e talvez alcances a luz do teu adorado Alcorão!
    És um garoto emproado, mal educado e mal intencionado. O Allah não te vai perdoar e devias saber porquê.

  3. Pingback: A Maçonaria Em Portugal- uma História de Corrupção e Conspiração | Casa das Aranhas·

  4. Gostaria de deixar aqui o meu inteiro apoio aos artigos sobre a Maçonaria. No entanto, parece-me fundamental acrescentar detalhes pertinentes. A meu ver, o perigo maçónico não reside apenas na soberba ou no secretismo, mas sobretudo no espírito mafioso e de seita. O maçon jura fidelidade e apoio total aos outros maçons, façam eles o que fizerem. Resulta daqui uma cultura de encobrimento e de ajuda mútua permanente, face à qual todos os outros valores normais da sociedade claudicam por completo. É assim extremamente perigoso que maçons desempenhem funções no aparelho de estado, uma vez que a sua lealdade, profissionalismo e dedicação estão sempre subordinados aos valores da seita que sobrelevam obrigatóriamente todos os outros, inclusive o patriotismo, o amor à justiça, etc. Daqui passamos ao total encobrimento dos crimes, à impunidade e ao encorajamento da ideia de que vale tudo para conseguirem o domínio, pois é disso que se trata: a conquista do poder tanto a nível nacional como internacional.

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