Afinal a ameaça vermelha não era tão ameaçadora quanto isso. O Comunismo morreu morrendo, como um urso polar que se exaustou enquanto corria no deserto. Ainda anda por aí, meio-vivo e dois-terços morto, mas depois de tão violenta desidratação nunca foi o mesmo.

O ayatollah Khomeini bem os avisou, ao mandar uma carta a convidar o Gorbachev a considerar seriamente o Islão, pois previa que o Comunismo não sobreviveria muito mais tempo. Deveriam ter aceite. Um bocadinho de fé não lhes teria feito mal. Se tivessem verdadeiramente acreditado que o sol brilhará para todos nós um dia, não se tinham esgotado de maneira tão fácil e previsível.

A ameaça vermelha foi então substituída pela ameaça terrorista-islamicó-fundamentalista-dali-do-deserto. Mas esta ameaça parece ter as características de uma miragem, sendo também  demasiado conveniente para ser credível, e portanto aqui não merece mais de duas frases.

É portanto necessário eleger um outro adversário, porque aqui no ocidente há mais armas e sede de sangue do que inimigos. Propõe-se portanto neste artigo que se considere de forma mais séria as Nações Unidas e as suas agências filhas como a grande ameaça para a soberania, independência e dignidade das nações do mundo.

A cada vez que as Nações Unidas escolhem um novo secretário-geral, o mundo vê, espantado, mas com uma lágrima no canto do olho, uma reincarnação do bâmbi cada vez mais perfeita. Mas o seu trabalho é muito mais insidioso do que parece.

É preciso ver também que um dos pilares de legitimidade da ONU é a promessa de promover  a ‘cooperação internacional’. Este termo é provavelmente um dos termos mais repetidos pela ONU como o método de construção de um mundo pacifico.

Dizer que ‘Problemas globais necessitam soluções globais’, contradiz o espírito internacional porque põe em questão a própria existência de soberania nacional, e portanto da existência de estados diversos. E sem estados diversos, não pode haver ‘cooperação internacional’ pois ‘internacional’ significa ‘entre (ao menos duas) nações’. ONU quer impor (vir a ser, através de transformações diversas e incrementais) um só estado global portanto quer fazer o termo internacional obsoleto.

Que argumento fraco como estratégia para a dominância global; mas mesmo assim, não é fraca suficiente para fazer com que a ameaça azul não seja levada muito a sério.

João Silva Jordão