Quem Ganha com a Fome em Portugal?

A continuação e o aprofundamento da crise económica não afectam somente as dinâmicas económicas da agricultura e os hábitos alimentares dos Portugueses. A crise económica resulta igualmente numa profunda crise alimentar e a crise alimentar por sua vez afecta profundamente as relações políticas e sociais. Afinal, como afirmou Kissinger, “Quem controla a comida controla as pessoas”. E o aumento da fome em Portugal beneficia várias entidades e serve sobretudo os interesses de quem controla o fluxo dos alimentos, assim como as entidades cujo poder depende da existência de fome e subnutrição.

Uma ilustração da colheita de trigo no Egipto Antigo (Túmulo de Mennah, em Tebas). O Egipto Antigo era uma superpotência agrícola.

Desde a Antiguidade as crises alimentares demonstram a capacidade de transformar as relações de poder. Desde a génese dos impérios o fluxo de alimentos é capaz de produzir conflitos, e desde o começo da hierarquização social extrema a distribuição de comida é utilizada para apaziguar populações e recrutar seguidores. Lembremos alguns exemplos: o primeiro grande império, a Babilónia, devia o seu poder à sua supremacia agrícola, e o pagamento em géneros alimentares era prevalente. Marco António como líder do Egipto chantageou Roma com a retenção dos embarcamentos de cereais, precipitando uma crise alimentar em Roma e obrigando esta a declarar a guerra. Resumindo, a alimentação e a fome são temas inevitável e inerentemente políticos.

Tabela com os maiores produtores de trigo, em milhões de toneladas métricas. Em primeiro lugar, a União Europeia, seguida da China, da Índia e dos Estados Unidos da América. Fonte: Wikipedia (International Wheat Production Statistics)

As crises alimentares são propícias para que aqueles agentes e instituições que possuem a capacidade de produzir e distribuir comida possam consolidar e estender a sua área de influência. Podemos verificar esta mesma tendência em Portugal desde o começo da crise económica de 2008. Neste contexto, identificamos, na Europa e em Portugal, uma trindade de agentes que beneficiam com a fome: primeiro, o próprio Estado e a União Europeia; segundo, a Igreja Católica e as suas ordens religiosas; e finalmente, os grandes vendedores de alimentação. São estes os principais atores da política da fome.

Comecemos com os grandes vendedores de alimentação. Estes veem os seus lucros aumentar cada vez mais numa fase em que a fome cresce exponencialmente em Portugal. O Pingo Doce anunciou em Julho de 2012 um aumento de lucros na ordem dos 5.6%, enquanto o grupo Jerónimo Martins a que pertence o Pingo Doce vê igualmente os seus lucros aumentarem por 20%, em grande parte por causa da subida de vendas na Polónia. O Continente também vê os seus lucros aumentarem em 6%, ajudando assim o grupo Sonae a manter os seus altos lucros. Um estudo mais aprofundado sobre este assunto pode ser lido na edição de Outono de 2012 da revista Rubra, uma parte da qual pode ser lida aqui.

Por sua vez, as instituições supostamente caritativas como o Banco Alimentar também veem a sua esfera de influência crescer. O seu poder não pára de aumentar desde o começo da crise- em Maio de 2012, as doações de géneros alimentares subiram 18% em relação ao ano anterior, tendo conseguido recolher 600 toneladas de alimentos no primeiro dia de recolha. Afirma a sua presidente, em declarações à Agência Lusa, que um quinto da população portuguesa vive abaixo do limiar da pobreza, e que sem prestações sociais como a do Banco Alimentar, esta taxa seria de 40%. Estima-se que pelo menos trezentos mil portugueses não têm acesso a nutrição suficiente. À medida que a fome aumenta, aumenta igualmente a capacidade ou potencial para a extensão da influência de instituições como o Banco Alimentar, e o consenso entre estas instituições é o seguinte: a fome não tem parado de aumentar desde o começo da crise. Devemos igualmente considerar que por detrás de instituições como o Banco Alimentar residem interesses políticos estabelecidos e teias de poder ocultas.

Voluntários do Banco Alimentar

Os três diretores executivos desta instituição são Isabel Jonet, José Manuel Simões de Almeida e Sérgio Augusto Sawaya, os três católicos devotos. Por sua vez, a criação do Banco Alimentar teve a profunda influência do padre António Vaz Pinto, membro da maior ordem católica, a Companhia de Jesus. O Banco Alimentar menciona que “a sede social da nova instituição foi instalada, provisoriamente, no Centro Universitário Padre António Vieira“, sendo este último um famoso membro da Companhia de Jesus, mais conhecido como um dos enunciadores do Quinto Império.

Isabel Jonet afirmou numa entrevista às Selecções do Reader’s Digest que o Banco Alimentar “é uma grande empresa e tem que ser gerido como uma grande empresa”. Por sua vez, a distribuição de alimentos é feita por mais de um milhar de associações, a maioria das quais ou têm fortes ligações ou são diretamente ligadas à Igreja Católica. Sendo que o negócio liderado por Jonet está em clara ascensão, é compreensível que a canção  What a Wonderful World‘, de Louis Armstrong seja a sua canção favorita.

A directora do Banco Alimentar, Isabel Jonet

O Banco Alimentar por sua vez vive ora das doações do público, ora do investimento do Estado e de agentes privados. Tem igualmente uma associação com a Universidade Católica.

A ligação entre instituições religiosas e a produção e disseminação de comida não é um fenómeno moderno. Na Antiguidade como no presente, ordens religiosas e templos controlam vastas áreas de terra arável, sendo estas fundamentais para a preservação do seu poder, representando nomeadamente uma fonte de rendimento indispensável. Nos tempos modernos, a única inovação é a elevada complexidade dos mecanismos de poder. A posse de terra pelas ordens religiosa é complementada pela influência que estas têm sobre o mundo da finança. A influência do Estado sobre a população na sua condição de distribuidor de alimentos é complementada com elevadas somas em subsídios e programas de caridade. Mas mesmo se podemos dizer que a forma muda, a essência sem dúvida permanece: com o aumento da fome e da pobreza, constatamos a expansão e consolidação da área de influência de estruturas de poder e de certas instituições religiosas. Assim sendo, podemos facilmente concluir que em tempos de crise económica e carências alimentares, aqueles que controlam a comida veem-se numa posição privilegiada.

Existem vários projetos em Portugal que tentam lutar contra a fome assim como lidar com o tema da alimentação de maneiras inovadoras. Entre os mais interessantes estão o Projecto 270, que lida com a soberania alimentar, o projecto Veggiesbox que tenta levar os alimentos directamente dos locais de produção até ao consumidor sem por isso ter de passar por intermediários, e também o Portal da Agricultura Urbana e Peri-urbana que tenta cultivar a coordenação entre as hortas urbanas de Portugal.

NOTA ADICIONAL (7 de Novembro de 2012):

Uma semana depois deste artigo ser publicado, a Isabel Jonet vem confirmar algumas das críticas que nele constam ao criticar o ‘consumismo’ dos portugueses:

O seu argumento final é que ‘não há dinheiro’. Ler isto e estudar mais sobre a ‘moeda fiat’ para se poder perceber a que ponto é que tal afirmação é falaciosa. O problema não é nem nunca será a ‘falta de dinheiro’ porque o dinheiro hoje em dia é emitido sem valor adicionado, sendo portanto dinheiro simbólico que se pode emitir arbitrariamente, sendo a inflação excessiva o único verdadeiro entrave. O problema de pobreza advém da má distribuição de riqueza e de poder político.

João Silva Jordão

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27 thoughts on “Quem Ganha com a Fome em Portugal?

    1. Carla Pais says:

      Concordo em pleno com o André. Somos todos bem falantes e solidários, mas quem partilha na verdade são mesmo os que pouco têm para partilhar…Todos os outros são movidos por variados interesses como é referido e muito bem no post.
      Excelente e absoluto…

  1. balde-de-cal says:

    os portugueses fugiram do campo apesar de terem trabalho.
    há 30 anos produzia 20 mil litros de azeite/ano, agora compro no Belmiro.
    tive que plantar pinheiros e eucaliptos.
    tinha 500 ovelhas. fui obrigado a vende-las

    1. AF says:

      Pois, porque há uma coisa que se chama Quotas de produção pré-estabelecidas pela União Europeia. Na verdade, ninguém quer que o nosso pais seja auto-suficiente…

      1. Paula says:

        AF de facto essa é a grande verdade. Quando a Merkel vem dizer que Portugal tem que mostrar aquilo que tem de bom ela está a ser irónica porque Portugal tem tudo só não nos deixam produzir e não nos deixam ser auto-suficientes. A União europeia pagou para os agricultores não produzirem, pagou para o abate das frotas de pesca e agora até pagam aos produtores Açorianos 70€ pelo abate de vitelos. Até onde vai esta pouca vergonha? Como é que podemos ser auto-suficientes se não nos deixam produzir?

  2. voza0db says:

    Olá!

    Infelizmente a MANADA continua a pastar… E muitos poucos terão ouvido estas fabulosas fábulas desta cabeça iluminada!
    Aquela coisa, a que muitos chamam jornalista, mais valia deixar de o ser, e ir para voluntário a tempo inteiro do BACF! Completamente oca!

    Mas eu da Isabelinha já não espero mais nada, a não ser disto e mais disto..

    Abraço!

  3. Ratatui says:

    Não há dinheiro ??? há sim não está é bem distribuído, se houver seca, chuvas torrenciais, terramotos, tsunamis, meteoritos e todo o tipo de catástrofes o dinheiro não deixa de ser fabricado foi inventado pelo homem é simplesmente fabricado pelo homem, a comida é o nosso planeta que a proporciona já existe muito antes antes de o homem existir … como pode umas folhas de papel que foi inventado pelo homem dominar o alimento que existe há milhões de anos ??? só os doentes pelo poder se acham deuses para privar a humanidade de se alimentar.

    1. Carla Pais says:

      Simplesmente, sem palavras…
      Concordo, mas enquanto o capitalismo for dono do poder, a Humanidade continuará estar privada de bens essenciais como a comida…
      Bom comentário o seu Ratatui

  4. Mi says:

    Se essa senhora tem ou não a ganhar não sei. Mas penso que as suas afirmações foram pouco eloquentes, o que levou a que o público em geral as retirasse do contexto. A senhora não está a criticar ou a por em causa a verdadeira pobreza, mas sim as pessoas que estão habituadas a um certo nível de vida e encontram-se incapazes de fazer o menor sacrifício. é tudo uma questão de prioridades. sei muito bem do que falo e observo muitos casos destes à minha volta, de pessoas que sempre viveram muito bem, e só porque já não podem comprar calças da levis ou ir sair todos os fins de semana queixam-se como se tivessem a passar fome,coisa que está muito distante de lhes acontecer.

  5. Rui Nunes says:

    Pá, realmente entre uma radiografia e comer uma sopa, vale bem mais a radiografia. Paga pelos impostos, pela taxa moderadora, pela sobre-taxa, pelo desfalque da segurança social, pela dívida do BPN… vale bem a pena. Mas esta está a falar de quê e para quem ?
    O nível de vida que eu tenho não deve ser definido por uma pessoa qualquer que não faz a mínima ideia o que é a minha vida. Já o nível de confisco a que sou sujeito, disso ninguém se parece incomodar. O meu luxo é o de ser eu e não vai ser pela corrupção organizada do sistema que agora deixarei de o ser. Esta vaca ainda não tem o condão da hipnose e as generalizações pecam por serem o discurso das bestas. Querem esticar a mãozinha para a organização do sistema dar uma esmolinha ? Esta está mesmo à vossa espera. Vamos continuar na corrupção e no discurso alarve até acordarem todos para o que nos estão a fazer. A mentira perpetuada não apaga o facto de que na cadeia ainda não está ninguém dos que nos trouxe até aqui. Esta vaca e a corja de palhaços corruptos estão a forçar a ilusão porque se muita gente acreditar, oh… o reino dos céus desce sobre nós… fiem-se na conversa de pia. Que quando acordarem já a vida vos passou por cima.

  6. Susana says:

    Que vergonha!! Ou melhor que falta de vergonha… era pô-la a viver um mês com o RSI ou até com o ordenado mínimo nacional… É revoltante!!!

  7. Pedro Silva says:

    O discurso deste senhor Jordão é suposto ser coerente? Não prova nada, limita-se a falar de factos desconexos. Tentativa de teoria da conspiração falhada?

  8. João Pedro says:

    Já que fala das instituições que “ficam a ganhar com a fome”, pergunto-me se também não há grupos velados que ficam a ganhar com a crise, por exemplo, apelando a manifestações todos os fins de semana, ou aparecendo em constantes entrevistas na comunicação social?

    Devo dizer que sou voluntário do Banco Alimentar contra a fome desde meados dos anos noventa, e participo em todas as campanhas, seja como voluntário nos supermercados, seja nos armazéns, ou em trabalho administrativo ou de inspecção. e se querem saber, também sou católico praticante e frequento a missa dos jesuítas. Tudo defeitos horripilantes e que mereciam logo que fosse enviado para a Lubyanca, não era? Ora acontece que até hoje, que eu saiba, nunca ganhei qualquer proveito material com isso, exceptuando o lanchezinho dado aos voluntários no fim da campanha, já de madrugada. E as únicas que ganham são os funcionários ao serviço do BA. Esta instituição não distribui os alimentos de qualquer forma: fá-lo a uma quantidade de entidades menores, espalhadas geograficamente pela respectiva região, mediante os pedidos, realizando depois acções de fiscalização para a veriguar da correcta distribuição dos alimentos, coisa que nem sempre acontece.
    O BA tem algumas ligações com a Igreja? Sim, sobretudo por razões práticas, mas é uma federação laica. Contribuiu com muitas instituições ligadas à igreja? Com certeza, porque não o faria, sendo estas a maioria das instituições de apoio social? Mas existe em Portugal há vinte anos, época de maior aumento do consumo em Portugal, quando os padrões cresceram enormemente, e quando se falava pouco de fome. Mas ela existia, e o BA sabia disso.

    Por isso, a teoria do post não tem bases por onde assentar. O Banco está há demasiados anos no terreno para querer benesses, não apareceu agora. E quais seriam, já agora? A Igreja sempre teve como missão a caridade, quando mais ninguém o fazia, está permanentemente no terreno como sempre esteve. Além do mais, o post é inconsequente: fala de benefícios assacados com a fome, de vantagens a retirar, mas apenas se reporta a tempos idos e não indica uma única que seja. Afinal, de que vantagens se tratam? Como é que a Igreja, e ao que parece o BA, ficam favorecidos com a fome? Económicos, políticos, mediáticos?

    Por isso, lamento muito, mas a tese com a qual discordo e que poderia ter pontos de interesse à partida limita-se a ser um panfleto anti-clerical, evocando teorias da conspiração velhas como o Marquês de Pombal sobre jesuítas, e pondo em questão a dignidade e obra de uma instituição tão respeitável como o Banco Alimentar. Lamento, mas há quem julgue que também há almoços grátis e que ajude os outros sem esperar nada em troca. E a Caridade (não a “caridadezinha”) é a maior das virtudes teologais.

    1. Fernando Costa says:

      Muitos parabéns disse tudo o que eu gostava de dizer !!!
      Mas não gosto de falar sem conhecimento de causa . embora tb já fiz voluntariado e conheço gente que vai todos dias para a rua fazer caridade esteja frio ou chuva !!!!!
      não posso admitir que venham para aqui estes pseudo-intlectuais, que nunca fizeram nada na vida, criticar gente tão nobre!!!!!!!

  9. IS says:

    Infelizmente as doações do público representam ainda uma parte pequena do Banco Alimentar e a maior parte dos produtos vem dos excedentes da União Europeia.
    Quanto ao posto, não discordo de alguma crítica quanto à imagem pública do BA, mas fazem um trabalho muito importante na situação actual. A minha mãe tem setenta e tal anos e é voluntária há anos. Já não consegue acartar com os caixotes, mas está lá várias vezes por mês a arranjar e distribuir pacotes. Tenho também amigos que são utentes.
    É uma situação muito longe do desejável, mas quantas desta gente toda cheia de opiniões pode dizer que está a fazer algo prático para ajudar? Hoje?

  10. Paula says:

    Só tenho a dizer que o banco alimentar contra a fome é um mega negócio que faz com que muitos lucrem. Ora vejamos: Sempre que sai uma campanha de ajuda para o banco alimentar o continente e o pingo doce vendem os seus produtos ou melhor dizer escoam os seus produtos e faz com que estes aumentem as suas vendas, por sua vez o estado farta-se de ganhar dinheiro com o IVA desses mesmos produtos.

    1. Eduardo Arvins says:

      Cara Paula, existem pessoas que conseguem fazer “filmes” com quase tudo ou mesmo tudo, mesmo que esse tudo seja a ajuda concreta a quem necessita. Paula não entre nestes filmes, entre sim na próxima campanha do BA. Quem realmente necessita agradece…

  11. António José Tavares says:

    Antonio Jose Tavares
    Há articulistas, que escrevem criticando tudo e todos usando e abusando da miséria alheia. Quando se diz que há instituições que ganham com a distribuição de alimentos para matar a fome aos que precisam, eu estou de acordo que esses alimentos não deveriam estar sujeitos ao pagamento do IVA,mas a manipulação desses artigos pelas firmas têm que ser recompensados. No que diz respeito á igreja católica, isto cheira-me a qualquer coisa contra a igreja que eu saiba nesse campo só vejo virtude seja ele emanado da Cª de Jesus ou outro qualquer. Para acabar o meu escrito devo dizer ao Senho Jordão que sou católico praticante e que me lembre nunca fui mal aconselhado sempre que ali me desloco, sei bem que a minha igreja cometeu muitos erros ao longo da história e continua a cometer
    mas são alguns dos homens que por lá andam pois JUDAS houve no tempo que Cristo andou pela terra e continuam a haver. Quem sabe o senhor Jordão será um deles………

    ganham

  12. PRFontes says:

    O autor do artigo “QUEM GANHA COM A FOME EM PORTUGAL?”, manifestamente preconceituoso, de raciocínio enviesado e pouco fundamentado, embora vestido de roupagens intelectualóides e pseudo-históricas, não tem qualquer respeito por instituições e pessoas que ao longo dos anos (séculos nalguns casos) se esquecem de si próprios para ajudar os outros, em circunstâncias por vezes difíceis.
    Não estou absolutamente nada de acordo com a listagem apresentada dos beneficiários da fome (Estado e União Europeia, Igreja Católica e ordens religiosas e grandes vendedores de alimentação), que claramente revela sectarismo e espírito preconceituoso. Quanto mais não fosse porque esquece um dos maiores beneficiários dessa praga que é a fome e que são os partidos políticos em geral e sobretudo os da esquerda (PCP, BE e afins e até sectores do PS) que tentam rentabilizar a sua manutenção para mais facilmente engordarem o seu pecúlio eleitoral.
    A luta contra a por eles chamada “caridadezinha” não é mais do que procurar manter o status quo, rentabilizando o descontentamento e a natural revolta que a fome alimenta, em seu favor. Prometer a lua para os mais pobres é fácil, sobretudo quando já se sabe que nunca estarão em condições de serem confrontados com o cumprimento dessa promessa. Agora dar horas do seu descanso, acorrer a situações de necessidade, dar algum do seu dinheiro (abdicando de coisas de que se gosta ou a que se está habituado), isso é “caridadezinha”.
    Pagava para saber o que cada um dos ilustres comentadores já fez em prol do seu semelhante. Não por palavras mas por actos. Não para os refugiados da Palestina (sem desrespeito por eles) mas para aquele pobre que se cruza com cada um de nós, todos os dias, ou que vive ali, ao virar da esquina.
    Todos seremos poucos para minimizar a desgraça que por aí vai. Deixem a Isabel Jonet e a Igreja fazer o seu trabalho, que tem sido essencial (mesmo vital) para muitos. Tenham juízo! Não deixem de ajudar, de todas as formas possíveis, os mais desfavorecidos de fortuna, de inteligência, ou de espírito.

  13. Livre & Idependente says:

    A mim não precisa de pagar caro amigo, pois digo-lhe de graça.
    Tenho por hábito de entregar sacos com comida directamente ás pessoas que vejo não terem nada para comer, ou que estão fisicamente debilitadas e que se encontram a viver na rua, à porta de supermercados, etc, chego até a dar o meu maço de tabaco tenha ele muitos ou poucos cigarros.
    Ás vezes um cigarro é a nossa unica companhia naqueles dias mais difíceis e eles pedem sempre.

    É a vontade própria do ser humano que pessoalmente dá carência ao necessitado e o banco alimentar é o meio que possiblita que a ajuda chegue a todos, ou pelo menos assim o devia, isso é verdade.
    Deixo uma palavra de agradecimento a os que fazem parte dessa organização, todos os que ajudam seja de que maneira for.
    Mas por outro lado pra muito/as serve apenas de propaganda, só falta mesmo apelar ao voto. Isso é mais do que sabido.

    “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.”
    Mahatma Gandhi

    A crença e a fé não fazem absolutamente nada, seja com ou sem religiões nada muda,tudo fica exactamente igual.
    A religião é uma ideia para os fracos de espirito que precisam de se identificar a si próprios e/ou do seu estatuto no universo, porque não o sabem fazer por si próprios ou têm medo de acreditar no contrario… Isto sem faltar ao respeito a todos aqueles que têm qualquer tipo de fé, que os torna mais fortes nos seus objectivos.

    Deixem de usar as pessoas, religiões.
    Pois deus fez o homem à sua semelhança.

  14. filipe says:

    fico um pouco mais confortado ao ver que existe alguma verdade a ser escrita e dita, ja que a midia nunca vai passar isto para nós, meros escravos de uma sociedade reprimida.
    Para os curiosos de mais noticias desta natureza. vao ao youtube e pesquizem por (mundo desconocido),quem entender um pouco de espanhol ve lá mais umas quantas verdades a serem ditas, aos poucos temos que reconstruir a nossa dignidade e fazer valer a razao da nossa existencia…

  15. Adelino A J Carvalho says:

    MAIS UMA PEDINCHICE. da Isabelinha chonè!.
    Eu não colaboro.
    Isto já foi denunciado várias vezes e nunca até hoje o estado, superfícies comerciais, ou a PT se disponibilizaram a abdicar da sua margem de lucro e a participar na doação.
    Eu não colaboro no peditório.
    Se encontrar uma pessoa com fome na rua, sou capaz de tirando dos meus fracos rendimentos lhe pagar uma refeição, mas não colaboro em peditórios organizados.
    Independentemente disto conheço alguém que fazia voluntariado no Banco Alimentar Contra a fome e trazia para casa a mala do carro cheia de bens alimentares.
    Há um complot entre as pessoas que fazem as recolhas de bens e os motoristas das carrinhas que os transportam em que estes passam por zonas onde estão estrategicamente estacionados os carros dos voluntários e enchem as malas.
    Não será generalizado mas acontece.
    Ainda há pouco tempo num supermercado perto da zona onde vivo apareceu uma organização que fizeram recolha durante um fim de semana.
    Eram carros e carros a sair com as bagageiras cheias e ninguém sabia que organização era aquela.
    Mei dúzia de adultos bem nutridos e bem vestidos cerca de duas dezenas de adolescentes.
    Como única identificação vestiam T-Shirts azuis com as palavras Voluntários SA.
    Fiz várias pesquisas e não encontrei nada relacionado com VOLUNTÁRIOS SA.
    De repente desapareceram como chegaram e ninguém mais os viu nem ouviu falar neles.
    Não colaboro e acabou.

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