Depois da repressão policial da manifestação da greve geral, no dia 14 de Novembro, a apatia do povo Português fez-se sentir mais uma vez. Os manifestantes que tinham vindo à manifestação da CGTP para protestar contra o Orçamento de Estado e 2013 começaram a sair mesmo antes do hino Português, que marca o final de qualquer manifestação da CGTP. Às 12:50 já só restavam cerca de uma centena de manifestantes, quando uma grande parte dos sindicatos só tinha chegado pelas 11:20. Esta manifestação teve todas as características de todas as outras organizadas pela CGTP. Previsível, monótona, repetitiva, curta, e sobretudo, com a grande maioria dos manifestantes ostentando uma completa falta de vigor e entusiasmo. A maioria parece estar lá por obrigação. Vieram picar o ponto, e desta vez, dado os acontecimentos do dia da greve geral, o espaço à frente à Assembleia esvaziou-se com uma rapidez inédita. Neste dia a CGTP mereceu mais do que nunca a distinção de ‘Guardião do Portão-Mor‘.

E foi somente depois da desmobilização da CGTP que começou a verdadeira manifestação.

O General Palhaço do Exército dos Palhaços (Clown Army)

O Exército dos Palhaços entrou em acção. Um colectivo de cerca de 20 jovens vestidos de palhaço e armados com almofadas queixaram-se que a profissão deles está em risco porque os indivíduos que trabalham na Assembleia lhes estão a roubar o trabalho. ‘Afinal, somos nós os palhaços, ou são eles?’ perguntou o General Palhaço, apontando para a Assembleia, ao que o exército de palhaços respondeu com a mesma frase a que respondia a todas as perguntas, ‘Não temos a certeza Senhor!’

Depois de um pequeno espectáculo à frente a S. Bento, começaram a sair pelo flanco esquerdo, o que fez uma grande parte do contingente policial que se encontrava na escadaria desmobilizasse. Pouco mais do que uma dúzia de palhaços conseguem mobilizar mais polícia na escadaria do que os milhares de manifestantes da CGTP, o que só por si é significativo. De repente, o Exército dos Palhaços entraram dentro do um Banco, provocando o pânico entre as forças da polícia. A mesma PSP que esperou duas horas para intervir contra quem arremessava pedras no dia 14 de Novembro de 2012, dia da Greve Geral, o que fez sem conseguir deter os mesmos, tendo somente conseguido agredir manifestantes pacíficos incluindo idosos e crianças, imediatamente enviou um grupo de polícias que estava por detrás das barreiras para intimidar e expulsar o Exercito de Palhaços.

Jornalistas tentam capturar imagens da ‘invasão’ ao Banco que durou pouco mais do que um minuto. Foto: RiseUp Portugal

Podemos afirmar com certeza que o mundo está ao contrário quando constatamos que 20 palhaços com almofadas e apitos conseguem ser mais subversivos e assustar mais o mecanismo de repressão do que a maior estrutura sindical do país. Enquanto que a CGTP foi dar mais um passeio, um pequeno grupo de jovens conseguiu capturar e demonstrar a verdadeira natureza do sistema em que vivemos com uma pequena peça de teatro de intervenção. Fê-lo sem carrinhas, sem milhares de bandeirinhas, sem beneficiar de 1% do salário de milhares de trabalhadores. Não precisou de um pódio com microfone, nem de discursos previamente escritos. Somente um pouco de coragem, criatividade e algumas almofadas, proporcionaram um momento que foi tão tenso quanto interessante.

Nenhum governante jamais perderá o sono por causa de manifestações como as da CGTP. Neste dia, quem melhor fez de palhaço foi o Arménio Carlos e a sua corte de palhaços.

João Silva Jordão