Um bom exemplo dos valores sociopatas e filosoficamente débeis que se promovem cada vez mais hoje em dia
Um bom exemplo dos valores sociopatas e filosoficamente débeis que se promovem cada vez mais hoje em dia

Cada vez mais a palavra ‘amor’ e o respectivo acto, o de ‘amar’, são utilizados de uma forma pouco eloquente, filosoficamente débil. Pior ainda, a palavra ‘amor’, entre outras, como ‘tolerância’, ganharam uma conotação incondicionalmente positiva quando estes são, de facto, ações que tanto podem ser usadas para o bem e para o mal.

Afinal de contas, como podemos nós amar uma coisa boa sem odiar o seu contrário? Como podemos amar a paz, sem simultaneamente odiar a guerra? Como podemos amar a verdade sem odiar a mentira?

O acto de amar não tem um valor positivo absoluto e incondicional. O amor é um conceito que pode servir para o bem e para o mal. Como a tolerância. Podemos amar o dinheiro, por exemplo, podemos amar a violência. Muitas gente o faz, efetivamente. Podemos igualmente tolerar a injustiça. Sempre que escolhemos a inércia e a inação perante a injustiça e a opressão, é de facto o caminho da tolerância que estamos a escolher, e neste caso, da cobardia também. Tolerância perante uma coisa detestável deveria ser detestável, mas cada vez mais, não o é aos olhos de cada vez mais pessoas. Em nome da liberdade pessoal, do facilitismo, da extração máxima do prazer do nosso dia a dia, fomentamos uma tolerância perante a exploração dos mais pobres, da opressão dos mais fracos, toleramos as mentiras dos que falam mais alto e de mais alto. O que nós precisamos não é de mais tolerância, é de mais coragem. De mais espírito de sacrifício, de menos consideração pelos nossos desejos e uma maior consagração do altruísmo.

E isto está, claro, em direta contraposição a valores que de facto são absolutos, como a compaixão e da misericórdia, que sendo bem aplicadas, por e simplesmente não podem ser usadas para o mal. Hoje em dia cada vez mais se veiculam ideias psicopatas/sociopatas, na forma de ‘faz o que queres’, ‘se te dá um bom sentimento, faz’, ou ‘segue o teu caminho e ignora quem te critica’. Por alguma razão a nossa sociedade está como está. Os verdadeiros valores Abrâamicos são claramente mais eloquentes, nomeadamente a máxima de ‘não fazer aos outros o que não gostas que te façam a ti’. Isto sim é compaixão. Mas não é amor. É amor direcionado e estruturado. E a diferença entre uma coisa e a outra, parecendo puramente semântica, é abismal.

João Silva Jordão