(Nota prévia: Este é a tradução para Português de um artigo publicado a 13 de Janeiro de 2014 no conceituado jornal Britânico The Independent, artigo que pode ser acedido na sua versão original aqui).

Uma investigação da Scotland Yard revela que gangsters são capazes de recrutar policiais através de sociedade secreta
Uma investigação da Scotland Yard revela que gangsters são capazes de recrutar policiais através da sociedade secreta (Maçonaria)

Redes secretas de maçons têm sido usadas ​​por gangues do crime organizado para corromper o sistema de justiça criminal, de acordo com um relatório chocante que a Polícia Metropolitana revelou ao jornal The Independent.

O relatório ‘Operação Tibério’, escrito em 2002, descobriu que sindicatos do submundo usaram os seus contatos na controversa fraternidade de forma a “recrutar oficiais corrompidos” dentro da Scotland Yard, e concluiu que era um dos “aspectos mais difíceis de negar relativamente à corrupção no crime organizado”.

O relatório – com a marca “Secreto” – descobriu que oficiais da policia em East Ham, a Leste de Londres, que eram membros da Maçonaria, tentaram descobrir quais os detectives que eram suspeitos de ligações com o crime organizado, fazendo-o usando outras fontes policiais que também eram membros da sociedade secreta.

Famosa por seus apertos de mão secretos, a Maçonaria tem sido suspeita de ter membros que trabalham no sistema de justiça criminal – notadamente no sector Judiciário e na polícia.

O poder institucional político assim como grande parte da comunicação social muitas vezes rejeitam tais idéias como sendo o trabalho de teóricos da conspiração. No entanto, a Operação Tibério é o segundo relatório da polícia secreta revelada pelo The Independent nos últimos seis meses que destaca este possível problema.

O Projeto Riverside, um relatório sobre a indústria de investigações privadas desonestos elaborado pela ‘Serious Organized Crime Agency‘ em 2008 (Agência de Crime Organizado Grave) também alegou que criminosos tentaram corromper policiais através de membros da Maçonaria na tentativa de promover os seus interesses.

Preocupações com a influência de maçons no sistema de justiça criminal levaram o ex-ministro do Interior Jack Straw a pedir em 1998 que todos os polícias e juízes deviam declarar se são membros da organização.

No entanto, dez de 43 forças policiais da Grã-Bretanha recusaram-se a participar e a política foi abandonada sob ameaça de ação legal. Na Inglaterra e no País de Gales, o Grão-Mestre da Maçonaria é o Príncipe Edward, o Duque de Kent. A Grande Loja Unida da Inglaterra recusou-se a comentar a noite passada.

O Príncipe Edward, Duque de Kent, o Grão-Mestre da Maçonaria da Inglaterra e do País de Gales (na direita) em Traje Maçónico
O Príncipe Edward, Duque de Kent, o Grão-Mestre da Maçonaria da Inglaterra e do País de Gales (na direita) em Traje Maçónico

O Independent revelou a semana passada que a Operação Tibério deduziu que sindicatos do crime organizado, como a família Adams e o seu grupo, liderado por David Hunt, foram capazes de se infiltrar no Met (Polícia Metropolitana do Reino-Unido) “à vontade”.

Solicitado a comentar o relatório Tibério, um porta-voz da Scotland Yard disse: “O Serviço de Polícia Metropolitana não vai tolerar qualquer comportamento pela parte dos nossos diretores e funcionários que poderia danificar a confiança depositada na polícia pelo público.

“Estamos determinados a perseguir a corrupção em todas as suas formas e com toda a força possível.”

Traduzido por João Silva Jordão