Durante os últimos dias os médias Portugueses têm estado a espalhar um mapa falsamente atribuído ao Estado Islâmico, mapa este que alegadamente mostra os planos de expansão da organização terrorista.

O mapa que alegadamente mostra os planos de expansão do EI
O mapa que alegadamente mostra os planos de expansão do EI

Este mapa começou a ser extensivamente partilhado nas redes sociais há exatamente um ano, em Agosto de 2014, tentando mostrar que o ISIS é uma ameaça para todo o mundo, particularmente para a Europa, para a India e para a Rússia. O mapa ilustra um Império Islâmico controlado pelo Estado Islâmico que se estende não somente pela África do Norte, Médio Oriente e Asia, mas que ao incluir na imensa mancha negra a Ibéria, as Balcãs e uma parte da Europa Central, também supostamente mostra a intenção do Estado Islâmico de reconquistar áreas que se encontraram no passado sob domínio Islâmico assim como de expandir o domino Islâmico sobre áreas novas.

O Diário de Noticias, por exemplo, a 10 de Agosto de 2014, partilhou uma versão do mapa numa noticia com o titulo ‘De Portugal ao Paquistão: mapa do califado islâmico’, e até se deu ao trabalho de publicar uma série de banalidades sobre as intenções violentas e expansivas do Estado Islâmico. Exactamente um ano depois pública uma outra versão do mapa na noticia com o titulo ‘Estado Islâmico prevê controlar Portugal e Espanha até 2020‘ descrevendo o mapa como sendo “Um mapa elaborado pelo Estado Islâmico e revelado nesta semana“. Ora somos suposto acreditar que um mapa já publicado em 2014 pelo próprio Diário de Notícias foi divulgado ‘esta semana’.

Somente todo este frenesim é baseado num mapa originalmente publicado pela ABC que por sua vez partilhou o mapa através de uma página de um grupo de extrema-direita, chamada ThirdPosition, que a ABC cita como sendo uma das suas fontes. A falsidade deste mapa já foi extensivamente demonstrado por outros médias anglo-saxónicos. O site Business Indider já tinha em 2014 afirmado que o mapa foi feito por fans do Estado Islamico, e não é oficial.

O grande problema com esta fraude é que acaba por propagar a imagem que o Estado Islâmico quer ter, sobretudo no mundo Islâmico, nomeadamente de uma organização que pretende unificar todos os Muçulmanos e expandir o domínio Islâmico pelo mundo fora. Esta imagem de um poder agressivo, expansivo e violento também serve os interesses tanto do complexo militar industrial Ocidental como da extrema-direita Ocidental, porque acaba por justificar invasões militares do Médio Oriente para por termo a esta ameaça e por fomentar a islamofobia e a xenofobia, respectivamente. Porém, a verdade é que o Estado Islâmico tem mostrado que a maior parte das suas vitimas são precisamente Muçulmanos, sobretudo aqueles que fazem parte de minorias religiosas, como os Xiitas, ou de minorias étnicas, como os Curdos.

Longe de se comportar como um poder que quer unificar todos os Muçulmanos, o Estado Islâmico é uma força extremamente divisiva e sectária que pretende acima de tudo purificar o mundo Islâmico, ou seja, eliminar, inclusive através de massacres, qualquer Muçulmano que tenha uma interpretação diferente da religião Islâmica, ou que, no passado ou no presente, apoie ou tenha apoiado forças políticas inimigas.

A maioria das vitimas do terrorismo Islâmico são de facto muçulmanos.